quarta-feira, 23 de junho de 2010

A longa noite do Império (Damián Sánchez)

No decorrer de 2010 o Governo Federal do Presidente Lula já repassou ao município de Jaguaré 6,827 milhões de reais, 1,105% do total dos repasses aos municípios capixabas. Só em abril, e conforme dados disponíveis no Portal da Transparência – www.portaldatransparencia.gov.br -, o governo federal repassou pouco mais de 1,5 milhão de reais ao nosso município. Em relação ao Programa Bolsa Família, em Jaguaré foram atendidas no mês de junho mais de duas mil famílias (2.236) e repassados de janeiro até abril pouco mais de setecentos mil reais. Concretamente em abril as famílias em situação de extrema pobreza de Jaguaré receberam quase 185 mil reais.

Os números por si só não dizem nada, porém se os relacionarmos com o comércio, com a qualidade de vida, com a inclusão social… veremos que esse dinheiro é importante para o município uma vez que aquece a economia e tira da pobreza absoluta famílias que antes não dispunham de nenhuma fonte de renda.

É essa a solução? Evidentemente que não! É um paliativo para não deixar na inanição os milhares de famílias pobres que residem em Jaguaré. O governo federal está fazendo sua parte; cabe ao governo do estado e do município fazerem seu dever de casa, isto é, criar políticas públicas e sociais de geração de emprego e renda. Assim teremos mais saúde, segurança, educação, bem estar social e qualidade de vida.

Não adiante querer resolver os problemas nos extremos prometendo saúde, hospitais, transporte escolar… isso são consequências de decisões políticas tomadas no passado e que repercutem até hoje porque foram instrumentos que permitiram chegar ao poder e uma vez nele não criaram as condições necessárias para o povo ter autonomia e independencia, até porque esse não era o objetivo. Era conveniente perpetuar a dependência e submissão aos poderes municipais. Criou-se, assim, um círculo vicioso de dependência e de trocas: eu voto em você e você resolve meu problema de saúde, de alimentação, de emprego, de…

A questão é outra, a meu ver mais séria e comprometedora: Por que a saúde vai de mal a pior? Por que há tantos doentes lotando os PAs? Por que os alunos precisam ser transportados até unidades de ensino distantes de suas comunidades e locais de residência? Por que o Bolsa Família atende mais de duas mil famílias em Jaguaré? Esses são os extremos que querem resolver sem atacar as causas que permitem seu aparecimento.

Tudo isso nos faz refletir e propor soluções a curto, médio e longo prazo. Isso chama-se de planejamento e esses planejamentos não fazem parte das agendas dos políticos da hora, sem os quais a “política de favores e remendos” continuará roubando a cena em Jaguaré até o momento de a multidão perceber que essa via é impraticável e que é ela mesmo que terá que se opor organizada e sistematicamente ao poder municipal estabelecido na democracia representativa, que não de fato participativa.