Dizem por ai que a política é uma arte e que não é qualquer um que sabe exercê-la. Maquiavel sabia muito bem disso e em 1513 escreveu seu famoso livro "O Príncipe" onde, de forma brilhante, descreve o inicio da reflexão teórica sobre as origens do poder e a estrutura do mesmo. Em 1574 e 1577 aparecem edições parciais e completas de um manuscrito intitulado "Discurso da Servidão Voluntária" de Etienne La Boetie, com 16 ou 18 anos de idade, onde o autor faz algumas reflexões depois da derrota do povo francês contra o exército e fiscais do rei, que estabeleceram um novo imposto sobre o sal. Na obra, o autor pergunta-se sobre a possibilidade de cidades inteiras submeterem-se à vontade de um só. De onde um só tira o poder para controlar todos? É impressionante a semelhança e a atualidade de ambos os escritos uma vez que os dois discutem e aprofundam as relações que se estabelecem por causa do PODER.
Qualquer cidadão de Jaguaré que tenha um pouco de memória histórica perceberá os "arranjos" e as "manobras" realizadas nos últimos dias para derrubar uma candidatura que se colocava na contramão dos que fizeram da arte política uma profissão em Jaguaré. É muita coincidência que o candidato a prefeito Cláudio de Freitas recebesse no último dia para registrar sua candidatura a visita do governador do Estado, assim como também é muita coincidência que o vice dele, Domingos Vinhati, tivesse dupla filiação, razão pela qual nao poderia concorrer ao pleito. Da mesma forma que é muita coincidência que o Cláudio chegasse ao Cartório Eleitoral de São Mateus cinco minutos depois do horário de fechamento do mesmo. Foi o trânsito? Havia engarrafamento por causa da sexta-feira? Houve algum tipo de negligência? O fato é que tudo indica que só haverá dois candidatos nesta disputa, os mesmos de sempre e com os mesmos ranços políticos de sempre. As promessas continuarão as mesmas, o aliciamento de eleitores continuará ocorrendo e o poder continuará sendo exercido em nome do povo, sem o povo e, muitas das vezes, contra o povo.